As mentiras do Apocalipse Protestante! 

São Gregório condenou Titulo de Bispo Universal?

São Gregório condenou Titulo de Bispo Universal?

 

Anda circulando na internet, em livros e folhetos protestantes há muito tempo uma tal citação de São Gregório Magno condenando o bispado universal, que é devido ao bispo de Roma, e colocando este como um título espúrio e horrível, o trecho atribuído a ele é o seguinte:

“Aquele que quer fazer-se chamar pontífice universal torna-se pelo seu orgulho o precursor do anticristo; nenhum cristão deve tomar este nome de blasfémia” (Greg. Ep. Liv. VI, 80: citado por Puaux em Anatomia del papismo, Firenze 1872, pag. 65)

Vejamos algumas ponderações:

1º Já vemos que a referencia do texto não são diretas aos textos de São Gregório, mas sim referencia a um livro de um autor qualquer.

2º Este texto não passa de nada mais do que uma adulteração grosseira de uma citação de São Gregório, que nunca condenou o Título.

3º As pessoas, que citam tal coisa, possuem uma profunda ignorância sobre patrística, não sabem ao menos quem foi São Gregório, o que falou, nem muito menos o que ele escreveu a respeito do Bispo universal.

4º A referencia (Greg. Ep. Liv. VI, 80) apontada na supracitada passagem, não pode se quer ser encontrada nos escritos de São Gregório, confesso que procurei e não achei em nenhum dos livros dele, o livro VI só chega ao capítulo 66. Ou seja 66 é menor que 80, logo não tem como estar neste livro.

Procurei nos livros I e IX, pois estes tem mais de 80 cartas e nada encontrei a respeito.

Neste link abaixo o leitor pode ter acesso a todas as cartas de são Gregório na integra e procurar por conta própria:

http://www.newadvent.org/fathers/3602.htm

Há uma citação Parecida no livro VII na Carta 33, onde ele diz:

“Agora eu digo com confiança que todo aquele que chama a si mesmo, ou deseja ser chamado, Sacerdote Universal, é em sua exaltação o precursor do Anticristo, porque ele orgulhosamente se coloca acima de todos. Nem é pelo orgulho ele é levado ao erro, pois, como perverso que se deseja aparecer acima de todos os homens, por isso todo aquele que ambiciona ser chamado único sacerdote, exalta-se acima de todos os outros sacerdotes.” (a Mauricius Augustus)

Veja que é uma citação parecida, mas nem de perto tem o mesmo significado da adulteração feita.

Perceba o leitor que a frase "nenhum cristão deve tomar este nome de blasfémia" não está presente no escrito de São Gregório, enxertaram isto para dar a entender que são Gregório rejeitava e condenava o Titulo de Bispo Universal, o que nunca aconteceu. São Gregório apenas estava relatando que  quem "orgulhosamente se coloca acima de todos" é precusor do anticristo, pois estaria se exaltando "acima de todos os outros sacerdotes" o que é totalmente condenado pela Igreja Católica, em todo o trecho, original dele, não há nada de diferente da doutrina católica.  

Logo a frase espúria atribuida a ele não passa de uma FALSA CITAÇÃO, típica de inimigos da Igreja e da desonesta apologética protestante, que faz de tudo, até mentir, para tentar angariar uma prova contra a Santa Igreja.

Transcrevendo então, o que REALMENTE são Gregório fala sobre o BISPADO Universal:

“Quem é este que, ao contrário das ordenanças do Evangelho, e contra os decretos dos cânones, presume-se usurpar para si um novo nome? (...) a cobiça de ser Universal (...) Certamente, em honra de Pedro, príncipe dos apóstolos, foi dado  pelo sínodo de Calcedônia Ao venerável pontífice romano. Mas nenhum deles jamais consentiu em usar este nome de singularidade, para que o bispado não fosse peculiar a um só, e os outros sacerdotes em geral fossem privados da honra que lhes é devida. Como é então que não procuramram a glória deste título, mesmo quando foi dado, e outro presume aproveitá-lo para si mesmo, embora não lhe foi dado?” (São Gregório Magno, Apistola XX,  a Mauricius Augustus.)

Vejam que o próprio Concílio de Calcedônia que deu o título ao Bispo de Roma e não eles que abraçaram isso posteriormente. Constatamos então que antes  mesmo de São Gregório os Bispos de Roma já eram chamados de universais, titulo que foi dado pelos concílios, como então são Gregório iria Rejeitar uma definição conciliar?

São Gregório preferia não ser chamado de Pontífice universal, porém não era por que este título era  MAL, mas preferia no sentido que significaria que todos os outros bispos não são realmente bispos, mas meros agentes de um Bispo único, um conceito que é totalmente contrário ao ensinamento católico que sustenta que todos os bispos são verdadeiros sucessores dos Apóstolos. E na ocasião, durante o pontificado de Gregório, João um Patriarca de Constantinopla estava querendo outorgar para si este poder de único.

Para provar isto veremos outras declarações do próprio Gregório:

Agora já há oito anos, no tempo de meu predecessor de santa memória, Pelágio, nosso irmão e companheiro, o bispo João, na cidade de Constantinopla, (...) convocou um sínodo no qual tentou se proclamar Bispo Universal. Assim que meu predecessor soube, enviou cartas anulando pela autoridade do Santo Apóstolo Pedro os atos do referido sínodo; cartas as quais eu cuidei e mandei cópias para Sua Santidade.” (São Gregório Magno,  Epístola XLIII)

Ou seja o título de Bispo universal era reclamado por outro, João Bispo em Constantinopla, que outorgou para si este título através de um sínodo, porém o Bispo de Roma imediatamente cancelou este, pela sua autoridade universal, logo todos acataram a decisão, se ele não fosse universal como é que poderia anular algo em outro patriarcado que não era jurisdição dele?

Enquanto João, que não tinha nenhuma autoridade, nem competência para ser chamado de Bispo Universal, se auto proclamava "Patriarca Ecumênico" e "Bispo Universal", São Gregório que tinha verdadeiro direito se humilhou e se auto proclamou "Servus Servorum Dei" ou seja "Servo dos Servos de Deus" e até hoje este mesmo título, por ele criado,  é usado pelos Papas.

São Gregório se "opunha" ao titulo justamente para aqueles que não o mereciam, pois não eram bispos de Roma, portanto só ao bispo de Roma compete esta autoridade. Ele era ciente e exercia seu papel de Bispo Universal, apenas não se exaltava por isso, mas tinha a plena consciência que era sucessor de Pedro e chefe da Igreja:

“Para todos os que conhecem o Evangelho, está claro que pelas palavras de Nosso Senhor o dever de cuidar de toda a Igreja foi confiado ao Bendito Pedro, o Príncipe dos Apóstolos (...) Ora, ele recebeu as chaves do reino dos céus, o poder de ligar e desligar foi dado a ele e o governo e principado de  toda a igreja foram confiados a ele (...). (Epístola 5, 37 a Mauricius Augustus.)

Interessante notar que São Gregório escreveu que Pedro era o Chefe da Igreja, a Cabeça dos Apóstolos, então segundo a lógica dos heresiarcas, São Gregório estaria Chamando Pedro de precursor do Anti-Cristo.

“… A sé apostólica, está, por orden de Deus, estabelecida sobre todas as Igrejas…” (São Gregório Magno Livro III, Carta XXX ao Sub-diácono João)

“Quem pode ignorar o feito de que a Santa Igreja é estabelecida na solidez do príncipe dos apóstolos, cuja a firmeza do carater se extendeu ao seu nome tal que deveria ser chamado Pedro, entõa ‘Rocha’, quando a voz da verdade disse: ‘Eu te darei as chaves do reino dos céus’. Para ele ainda e dito: ‘quando voltares seja o apoio para teus irmãos’” (São Gregório Magno Carta XL)

Para acabar de vez com qualquer argumentação contrária segue abaixo o testemunho de 2 historiadores protestantes:

O luterano Jaroslav Pelikan:

As igrejas da Grécia Oriental, também, juraram uma aliança especial a Roma (...) Uma Sé após outra capitulou nessa ou naquela controvérsia com a heresia. Constantinopla deu lugar a vários hereges durante o quarto e quinto séculos, destacadamente Nestório e Macedônio, e as outras Sés também ficaram conhecidas por se afastarem da fé verdadeira ocasionalmente. Mas Roma tinha posição especial. O bispo de Roma tinha o direito por sua própria autoridade de anular os atos de um sínodo. De fato, quando se falava de um concílio para sanar controvérsias, Gregório estabeleceu o princípio no qual “sem a autoridade e o consentimento da Sé Apostólica, nenhum dos assuntos definidos [por um concílio] tem qualquer poder de obrigar(The Emergence of the Catholic Tradition (100-600), Univ. of Chicago Press, 1971, 354; cita a Epístola 9.156 de Gregório). Fonte: http://socrates58.blogspot.com.

E Também o estudioso protestante (anglicano) J.N.D Kelly escreveu que Gregório I:

"... foi incansável na defesa do primado romano, e conseguiu manter com sucesso a competência jurisdicional de Roma, no oriente .... Gregório argumentou que a missão de São Pedro [por exemplo, em Mateus 16:18 f] fez todas as igrejas, incluindo Constantinopla,  sujeitas a Roma "(The Oxford Dictionary of Popes, página 67).

Também não poderiamos nos furtar de citar alguns documentos concíliares anteriores a são Gregório, e que confirmam toda a autoridade de Roma:

CONCÍLIO DE ÉFESO

“Não há Duvida,e de fato, por todos os séculos é conhecido que o Santo e muito bem aventurado Pedro príncipe e Cabeça dos apóstolos, coluna da fé e fundamento da Igreja Católica, recebeu as chaves do reino das mãos do nosso senhor Jesus Cristo, salvador e Redentor do gênero humano, e a ele foi dado o poder de perdoar os pecados; e ele, em seus sucessores, vive e julga até o presente e para sempre ” (Concilio de Éfeso, 431. Discurso de Felipe, Legado do Romano Pontífice, Sessão III)

CONCÍLIO DE CALCEDÔNIA

“Está é a fé dos Padres! Está é a fé dos apóstolos! Devemos crê-la! Seja anátema quem não crê! Pedro nos fala por meio de Leão... está é a verdadeira fé!(Concilio de Calcedônia, Atas do Concilio, Sessão 2.)

Por que o Santíssimo e bem aventurado Leão,Arcebispo da grande e Antiga Roma, através de nós, e através deste presente Sacrossanto Sínodo,  junto com o três vezes bem aventurado e glorioso Pedro, o Apóstolo que é a Rocha e fundação da Igreja Católica, e a fundação da fé ortodoxa....”(Concilio de Calcedônia, Atas do Concilio, Sessão 3.)

Infelimente apesar destas definiçãoes também os católicos cismáticos do oriente, ainda assim rejeitam a primazia Jurisdicional Romana. O protestante nem crêem nas definições concíliares nem nas palavras de São Gregório. Para acreditarem em alguma coisa eles tem que falsificar textos, eles mesmo se enganam e se cegam em prol da destrução da verdadeira fé!

Mais uma mentira fulminada pela verdade!